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sábado, 17 de setembro de 2011

Um exercício de coragem/ by Gabriel Chalita


Aristóteles dizia que “a coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras”. A coragem também foi tema de Platão, seu mestre. No “Mito da Caverna”, o filósofo ensina que sair da caverna e enfrentar a vida não é simples. É, inclusive, incômodo, para quem nunca viu a luz, deparar-se com ela. A vida na caverna parece mais confortável, sem grandes mudanças de temperatura, sem feras que possam devorar, sem novidades. Entretanto, na caverna, vive-se das sombras. Quem quer viver, de fato, tem de enfrentar os riscos que a vida real oferece.
A política é um espaço propício para correr riscos. Tenho incentivado meus alunos e meus amigos a participarem mais ativamente da política. Há aqueles que oferecem como resposta os riscos da exposição pública, das injustiças, dos adversários imundos que atuam no subsolo. Há outros que fazem o discurso da desconfiança desse espaço para qualquer transformação real da sociedade. São descrentes da política porque consideram que “o poder corrompe o homem”.
Evidentemente, é mais fácil ficar em “casa”. O conforto é ainda maior do que o da “caverna”. E é preciso respeitar quem, assim, decide. Mas não custa insistir. Se fazemos coro àqueles que acreditam na política como “arte e ciência do bem comum” (também de Aristóteles), se somos capazes de ver que uma parcela dos políticos opta pela corrupção, pelo egóico exercício do poder, precisamos trazer novas vozes.
Conheço muitos políticos corretos. A mídia divulga mais os que nos envergonham. E isso não é uma crítica. Não se fala dos aviões que não caem. Anuncia-se o que caiu. Um político honesto é um avião que voa e chega ao seu destino. E há muitos que são assim. Há prefeitos por este Brasil afora que conseguiram mudar a história da sua cidade sem negligenciar os valores preconizados na lei e na ética. Há governos capazes de unir competência e sensibilidade. Há parlamentares que, imbuídos dos melhores sentimentos, trabalham com entusiasmo, honrando o voto e a confiança que receberam.
Os corretos, muitas vezes, são vítimas de injustiça, são misturados com os que não têm as mesmas intenções. Mas, com o exercício da coragem, prosseguem. É melhor isso a permanecer na caverna.
Que novas lideranças saiam da caverna. O exercício da crítica torna-se mais eficaz quando os que criticam resolvem participar e, participando, dão esperanças à política, ou melhor, à Política. Author: Gabriel Chalita

5 comentários:

  1. Elane, amiga muito querida. Eu tinha "me perdido" de você. Hoje encontrei de novo. Acontece que tinha tirado o meu blog do ar e por fim, senti falta dessa comunicação e resolvi voltar. Aos poucos vou reencontrando todos os amigos.
    Bem...
    É uma maravilha esta sua postagem. Estamos precisando saber disso. Você foi muito feliz por trazer um depoimento do Chalita, uma pessoa da mais alta credibilidade.
    Foi bom ler isto e pensar um pouco na dica:
    "Só se tem notícia dos aviões que caem. Os que fazem uma viagem perfeita não dão notícias".
    É uma "cutucada" na gente para que possamos observar mais os sucessos e reparar os insucessos, não é?
    Uma beijoca super carinhosa no seu coração.
    Manoel.

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  2. Escolha muito feliz este texto de Chalita, Elane. Na minha vida de estudante do curso de Filosofia a gente não valorizava muito "O Mito da Caverna". Quase não o entendia. Por outro lado, nunca mais parei para analisá-lo, como você me ofereceu a oportunidade hoje. Veja só, uma coisa antiga e tão atual! Na nossa vida constantemente aplicamos esse mito. O comodismo, em certas circunstâncias, nos parece melhor, mas ele não nos leva a nada. A vida exige que coloquemos nossa "cara" para bater.
    Não fique prometendo o tempo todo. Saia da Caverna e venha nos visitar. Abraços.
    Mario

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  3. Oi Elaine,brigada pela visita e por colocar meu link no teu blog,adoreiii,uma semana bem feliz pra vc!=)

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  4. Elane,

    eu gostei do texto. Sabe, acho que se as pessoas se engajassem mais na política, nosso sistema não estaria tão consolidado na forma doentia em que está.
    Quanto a questão do político honesto... Eu não sei se a questão é que todo político deva ser honesto... Mas que todo político deva ter consciência social... Usar o sistema ao favor do povo... Mesmo que infelizmente tenha que ser através de caminhos... Não tão convencionais assim.
    É utopia acreditar que todos seremos sempre 100% sinceros... Se mentimos as vezes até para nós mesmos... O que impediria que mentíssimos para os outros? O problema é: não é ser mentiroso... É fazer o que é certo pelo povo, mesmo que através de certas omissões...
    Digo isso porque já vi uma pessoa ficar presa no sistema político, impedido de fazer algo útil pela sociedade por conta dos que estavam ao seu redor, influenciando, pressionando, ameaçando... Impedido que os projetos fossem adiante. Diante de uma situação dessa o ideal teria sido usar o sistema em prol de um bem maior...
    Sei que isso soa... inconvencional... Mas é que modificar todo um sistema de 500 anos não ocorre do dia pra noite... Tem que ser feito aos poucos... É preciso se adaptar para se chegar aonde se quer.
    Seja como for... todos devemos ter + consciência social e política... E não nos conformarmos deixando tudo exatamente como está...

    Beijos (Des)conexos!

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  5. Olá Elane!
    Que bom chegar aqui e ler algo que vem de encontro ao que sempre digo...
    Existem sim...Muitos políticos bons e honestos que desempenham o que se propõem de forma exemplar. Essa é a nossa sorte pois são eles que fazem essa nação ainda ter solução.
    Tenha uma semana abençoada!
    Um beijo carinhoso

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Agradeço suas preciosas palavras!!bj!!